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Instruções dos Espíritos: Emprego da Riqueza
Não podeis servir a Deus e a
Mamon. Guardai bem isso em lembrança, vós, a quem o amor do ouro domina;
vós, que venderíeis a alma para possuir tesouros, porque eles permitem
vos eleveis acima dos outros homens e vos proporcionam os gozos das
paixões que vos escravizam. Não; não podeis servir a Deus e a Mamon! Se,
pois, sentis vossa alma dominada pelas cobiças da carne, dai-vos pressa
em alijar o jugo que vos oprime, porquanto Deus, justo e severo, vos
dirá: Que fizeste, ecônomo infiel, dos bens que te confiei? Esse
poderoso móvel de boas obras exclusivamente o empregaste na tua
satisfação pessoal.
Qual, então, o melhor emprego
que se pode dar à riqueza? Procurai – nestas palavras: “Amai-vos uns aos
outros”, a solução do problema. Elas guardam o segredo do bom emprego
das riquezas. Aquele que se acha animado do amor do próximo tem aí toda
traçada a sua linha de proceder. Na caridade está, para as riquezas, o
emprego que mais apraz a Deus. Não nos referimos, é claro, a essa
caridade fria e egoísta, que consiste em a criatura espalhar ao seu
derredor o supérfluo de uma existência dourada. Referimo--nos à caridade
plena de amor, que procura a desgraça e a ergue, sem a humilhar.
Rico!... dá do que te sobra; faze mais: dá um pouco do que te é
necessário, porquanto o de que necessitas ainda é supérfluo. Mas, dá com
sabedoria. Não repilas o que se queixa, com receio de que te engane; vai
às origens do mal. Alivia, primeiro; em seguida, informa-te, e vê se o
trabalho, os conselhos, mesmo a afeição não serão mais eficazes do que a
tua esmola. Difunde em torno de ti, como os socorros materiais, o amor
de Deus, o amor do trabalho, o amor do próximo. Coloca tuas riquezas
sobre uma base que nunca lhes faltará e que te trará grandes lucros: a
das boas obras. A riqueza da inteligência deves utilizá-la como a do
ouro. Derrama em torno de ti os tesouros da instrução; derrama sobre
teus irmãos os tesouros do teu amor e eles frutificarão. – Cheverus.
(Bordéus, 1861.)
Extraído de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", Capítulo XVI, tradução de Guillon
Ribeiro, Federação Espírita Brasileira, versão disponível em www.febnet.org.br.
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