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Amor Santificado
Em face das complexas
mudanças ocorridas na sociedade contemporânea, a maternidade, com
algumas exceções, vem sendo relegada a plano secundário, sendo, cada
dia, mais indesejada, por grande número de mulheres interessadas nos
prazeres mundanos, ao invés do interesse pela busca saudável da
santificação da existência.
A maternidade constitui
bênção de incomparável significado, por facultar à mulher ser
co-criadora com Deus,
Oferecer-se ao ministério de
procriar com amor e ternura, representa uma conquista moral das mais
grandiosas a que pode aspirar o ser humano.
Certamente, são incontáveis
os casos de concepção automática, sem a compreensão real da gravidade de
que se reveste o ensejo de ser-se pai ou mãe.
Nada obstante, não são poucos
os exemplos de abnegação e de enobrecimento que se expressam, nessas
ocorrências inesperadas, que tornam as mães verdadeiras estrelas que
iluminam o escuro zimbório da noite humana, diminuindo-lhe as sombras
densas da ignorância e da crueldade.
A planificação familiar
adquirida a duras penas, essa nobre conquista da evolução científica, ao
permitir que se tenha a prole que se deseja e se pode educar, enseja
excelentes oportunidades para a edificação da família, embora o ideal
seja a espontaneidade da fecundação, naturalmente obedecendo-se aos
elevados padrões de higiene sexual e de dignificação da mulher.
Postergar-se, no entanto, a
oportunidade da concepção para quando as circunstâncias sejam
favoráveis, no que se referem às questões financeiras, de trabalho, de
segurança, pode gerar situações difíceis de contornadas, quando chegar o
momento em que tudo parece contribuir para que se realize a aspiração.
A bênção de um filhinho,
mesmo quando apresenta limites ou deficiências, é graça concedida pelo
Céu para o engrandecimento do lar, por constituir instrumento de resgate
de débitos passados e oportunidade de desenvolvimento dos valores morais
de todo o grupo.
Os filhos saudáveis,
portadores de inteligência e lucidez, não estão indenes a ocorrências
que lhes surjam pelo caminho, convidando-os aos necessários sofrimentos
reparadores através das enfermidades graves e tormentosas.
Por isso, a confiança
irrestrita em Deus deve constituir requisito fundamental para o êxito
materno, porquanto os impositivos em torno do futuro, por mais cuidados
se tenham, são sempre imprevisíveis.
Nesse sentido, é sempre o
amor que resolve as dificuldades que se apresentam em relação à família.
Quando os parceiros se
identificam através dos elevados sentimentos de amor, enfrentam
quaisquer situações juntos, e encorajando-se reciprocamente, superam os
desafios que mais os dignificam.
Ocorre que o sexo em
predominância no comportamento humano da atualidade, vem
descaracterizando o elevado sentido do amor, numa fuga psicológica
inquietante, que leva à coabitação mais por imediatismo de prazer do que
por emoções plenificadoras.
Disso resultam as múltiplas
experiências sexuais frustrantes, porque destituídas de profundo
respeito e carinho, deixando ressaibos de amargura e ânsias de
repetições trabalhadas pela fantasia, quando não por alucinações
defluentes dos impulsos inferiores.
Desfilam então, os grupos
sociais em depressões ou fanfarras atordoantes, de modo que o raciocínio
fica impossibilitado de despertar a consciência do ópio da ilusão.
Inevitavelmente, nessas
circunstâncias, o filho é indesejado, considerado um problema, uma carga
difícil de ser conduzida, especialmente quando a mulher vê-se
abandonada, sem os recursos hábeis para a própria e a subsistência do
rebento.
Essa conduta leviana e
injusta do homem, que somente pensa em desfrutar, caracteriza-lhe a
permanência em fase primária do pensamento moral, tornando-se-lhe hoje
ou mais tarde razão de desgraça espiritual.
Como efeito, a maternidade
amplia-se no meio de jovens totalmente despreparadas para o elevado
mister, que se deixaram seduzir pelas mentiras da mídia, e atiraram-se
com antecipação nos jogos do sexo, gerando filhos que não podem cuidar,
conduzidas prematuramente à prostituição e ao vício.
Quando as sociedades humanas
forem mais justas e dignas, de cedo a educação sexual fará parte dos
seus programas, orientando os jovens em torno dos sentimentos e das
paixões, de forma que, somente após alcançarem o discernimento e a
responsabilidade, se permitirão as uniões que se farão demoradas e
conscientes.
Neste momento de trânsito
moral do planeta, no entanto, os disparates afetivos, as injunções
enganosas, as ambições desvairadas, tomam conta de quase toda a
sociedade, dando lugar aos distúrbios de variada ordem que a afligem
como látego de correção...
A maternidade consciente e
responsável de hoje será o instrumento de que se utilizará a Divindade
para a construção da humanidade futura, quando espíritos nobres se
reencarnarão para produzir as mudanças inevitáveis do mundo de
sofrimentos em que se encontra para planeta de paz e de plenitude que
será.
Às mães especialmente, pelo
fato de mais conviverem com os filhinhos, cabe a grande tarefa de
construir o mundo novo, rico de ternura e de amor, de conhecimento e de
beleza, que os seus sentimentos superiores podem oferecer a todo
instante, inaugurando a era de felicidade que todos desejam.
Recorde-se, nesse aspecto, a
figura exponencial da mulher de Nazaré, que ao receber o filhinho no
seio generoso, jamais imaginou que se tratava do Rei Solar, encarregado
por Deus para iluminar a Terra para todo o sempre. Seu desvelo, seus
cuidados e devotamentos, trabalharam-lhe a infância feliz para a
gloriosa missão de amor que veio realizar no mundo.
Ela tornou-se, então, a Mãe
Santíssima da humanidade, sem nunca haver esperado que isso acontecesse.
Em sua homenagem, o desvelo
materno em todos os tempos, transformou-se em amor que se santifica, por
ser doado em favor da sociedade do futuro, através do filho do presente
que Deus proporciona ao seu coração.
.
Amélia Rodrigues
(Página psicografada pelo
médium Divaldo Pereira Franco, no dia 19 de março de 2007, no Centro
Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.)
Extraído da Revista O Consolador, nº 4
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