|
Ante Paixões
A paixão é reminiscência da
natureza animal predominante no homem.
Leva-o a tormentos
inimagináveis, escravizando-o e dilacerando-lhe os sentimentos mais
nobres.
Irrompe, violenta, qual
temporal imprevisto, devastando e consumindo tudo quanto se lhe antepõe
ao avanço.
Desafiadora, ensandece e
fulmina quem lhe padece a injunção, deixando sempre destroços, quer
chegue ao ponto de destino ou seja interrompida a golpe de violência
equivalente.
Ela é a alma dos desejos
incontrolados, vestígio do instinto que a razão deve conduzir.
Nesse estágio de primarismo é
o maior inimigo do homem, porque o asselvaja e domina.
Canalizada pela vontade
disciplinada para objetivos elevados, transforma-se em força motriz que
dá vida ao herói, resistência ao mártir, asas ao anjo, beleza ao artista
e glória ao lutador.
*
Domina os teus sentidos mais
grosseiros, corrigindo as más inclinações sob o comando da razão fixada
em metas elevadas.
Transforma o fogo devorador
que te consome em força que produza para o benefício geral.
Uma chispa descuidada ateia
incêndio voraz, destruidor, enquanto as labaredas voluptuosas, sob
controle, fundem e purificam os metais para fins úteis.
*
Considera a paixão de Alarico,
o conquistador impiedoso, e a de Agostinho, o libertador, seu
contemporâneo...
Recorda a paixão de Nero, o
dominador arbitrário e a de Sêneca, seu mestre-escravo, a quem ele
mandou matar.
A paixão de Herodes pelo
trono e a de Jesus pela Verdade possuíam a mesma intensidade, somente
que a canalização das suas forças era dirigida em sentidos opostos.
Joanna de Ângelis
Do cap. 19 do livro Momentos de Meditação, de Joanna de Ângelis, obra
psicografada pelo médium Divaldo P. Franco.
Extraído da Revista O Consolador, nº 217
> Mensagens
Anteriores
|